Cardiff
CARDIFF
Neste texto quase confessional, O´Neill trata dos sonhos e desejos dos marinheiros e dos limites impostos pelo contexto sociocultural, instaurando reflexões existenciais sobre a vida.
A recriação teatral do universo-navio foi o gatilho inspirador para a constituição de uma estética que promove uma aproximação diferenciada do público a temas que, embora atuais, possam parecer ultrapassados ao olhar contemporâneo. O material contido neste curto texto de Eugene O’Neill, revela a lida do mar, os perigos, as tempestades , calmarias e o coletivo multicultural de onde emergem questões humanas relevantes. A solidão e a morte são condição intrínseca do viver e a solidariedade surge como necessidade do trabalho e alento para a caminhada humana.
Sinopse
Em uma viagem do navio mercante Glencairn, de Nova York a Cardiff, um marinheiro, Yank, acidenta-se gravemente. A impossibilidade de um tratamento adequado expõe a tripulação à agonia de seu par. Desta situação-limite, emergem questões sobre solidão, miséria, morte, desejo e amizade.
Ficha Técnica
Autor: Eugene O’Neill
Tradução: Fernando Paz
Direção Geral e Adaptação: André Garolli
Direção Musical: André Lima
Direção Interpretativa: Lúcia Gayotto
Orientadores:
Daniel Ribeiro (dinâmica corporal)
Luciana Viacava (corpo)
Rodolpho Padula (instrumentalização)
Wagner Menegare (técnicas circenses)
Roberto Leite (jogos teatrais)
Eduardo Agni (Percepção)
Desenho de Luz: Nelson Ferreira
Direção de Produção: Carla Estefan
Figurinos: Cia. Triptal
Cenário e Adereços: Cia. Triptal
Operação de Luz: Nuno Bezerra
Elenco: André Lima, Daniel Ribeiro, Roberto Leite, Guilherme Lopes, Kalil Jabbour, Bruno Feldman, Renaldo Taunay, Wagner Menegare, Pepe Ramires, Alexsandro Santos.
Apoio: Este espetáculo tem o apoio da Lei de Fomento do Município de São Paulo, Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz, PAC-São Paulo, da Associação Cultural Casa das Caldeiras e da Secretaria Municipal de Cultura.
(Mônica Santos – Revista Veja São Paulo).
“Cardiff, sobre a aflição da tripulação de um navio diante do mau tempo, rendeu
uma exitosa montagem. Com igual esmero cênico e vigor interpretativo, o elenco
de nove atores agora encena Zona de Guerra, no SESC da Avenida Paulista.”
(Mônica Santos – Revista VejaSão Paulo – 17/05/2006)
“…no início, o espetáculo impressiona pela plasticidade das cenas. Acomodados na
platéia, os espectadores – apenas quarenta por sessão – presenciam uma
tempestade. A experiência sensorial continua durante a calmaria, quando o público
sobe ao palco, que faz as vezes do convés. Na última etapa, no subsolo do teatro
transformado em porão do cargueiro, o impacto visual cede espaço às palavras.
Sob a direção de André Garolli, expõe com intensidade, a solidão, a esperança, o
medo e outros sentimentos tratados por O’Neill.”
(Ubiratan Brasil -Jornal O Estado de São Paulo – 27/03/2006).
“Mais que uma peça, Rumo a Cardiff é uma experiência sensorial. O texto de
Eugene O´Neill que aporta novamente a partir de hoje no Teatro Artur Azevedo
pede uma entrega generosa do espectador. Em compensação, oferece um raro
prazer teatral… Durante esse tour, o espectador consegue travar contato direto
com a ação, sentindo toda a pulsação da cena. Em alguns momentos,
especialmente a partir das cenas desenvolvidas no palco, o contato é quase físico,
com os atores quase resvalando nos espectadores. A experiência tem produzido resultados fascinantes.”
(Mario Bortolotto – blog “Atire no Dramaturgo” – 24/03/2004).
“Assisti “Rumo a Cardiff”, brilhante encenação do Grupo Tapa sob a direção de
André Garolli do texto de Eugene O’Neill. Com uma direção cinematográfica e tendo
a frente do elenco o gigante Zé Carlos Machado, trata-se de um espetáculo imperdível.”
(Macksen Luiz viajou a convite da Secretária de Cultura do Estado de São Paulo – Jornal do Brasil-10/03/2004).
“… o elenco de 22 atores se adapta à proposta física da direção e transformam Rumo a Cardiff num envolvente jogo teatral”.
(Mariângela Alves de Lima – Jornal O Estado de São Paulo – 23/03/2004).
“O intuito escolar finalizado na prova do palco costuma ser uma experiência recomendada a familiares dos novatos e especialistas em arte e educação. Às vezes, só às vezes, o resultado final dos cursos de formação de interpretes é também o momento em que se ousa mais, em que tanto o encenador quanto os intérpretes aproveitam para voar sem rede porque sabem diante mão que o profissionalismo, sujeito às leis madrastas da economia, restringe o número dos elencos. Neste caso o modo de produção adotado pelo grupo é um meio termo entre o saudável desregramento do voluntarismo radical e a disciplinada exigência da produção profissional. Os atores menos experientes contracenam com parte do elenco da companhia estável. Em situação de equivalência cênica exibem o que talvez seja o aspecto mais conseqüente da dramaturgia de O’Neill: não há primeiros papéis e se esta peça ainda nos parece tão boa é porque se apresenta como um universo íntegro revelado na dinâmica do espetáculo. Ao mesmo tempo a encenação dirigida por André Garolli, que permite a todos os participantes exercitar o aspecto inovador da encenação contemporânea, ignora o valor de face da peça realista e compreende Rumo a Cardiff a ótica dos experimentos posteriores do dramaturgo norte-americano”.
(Mariângela Alves de Lima – Jornal O Estado de São Paulo – 23/03/2004).
“Em situação de equivalência cênica exibem o que talvez seja o aspecto mais conseqüente da dramaturgia de O’Neill: não há primeiros papéis e se esta peça ainda nos parece tão boa é porque se apresenta como um universo íntegro revelado na dinâmica do espetáculo. Ao mesmo tempo a encenação dirigida por André Garolli, que permite a todos os participantes exercitar o aspecto inovador da encenação contemporânea, ignora o valor de face da peça realista e compreende Rumo a Cardiff a ótica dos experimentos posteriores do dramaturgo norte-americano”.
(Jonas Golfeto – Dramazine – Cia. Dos Dramaturgos – Maio de 2006).
“…O cinema conquista o público pela renovação seguida e imediata das sensações, precisa, para sua reprodução: de um projetista, som alto dolby5.1, ponto de mudança no roteiro, cortes rápidos. Já o teatro: de suor e muita gente disposta – repetindo, dia-a-dia, dia-a-dia- para proporcionar à platéia a sensação de viver a experiência, não a de ver a experiência vivida, como no cinema. Para mim a experiência foi de puro teatro.
(Sérgio Mello- blog “No banheiro um espelho trincado” – 03/05/2006).
“…É no porão que Eugene O´Neill finalmente se mostra como um dos melhores dramaturgos de todos os tempos. Os atores dizem seu texto em português ali. É tudo muito cruel, ameaçador, solitário, cômico e claustrofóbico, tudo ao mesmo tempo. A vida dos marinheiros, marujo. Um espetáculo pra ser aplaudido de pé, mesmo que o navio esteja balançado. Porque ele vai continuar assim, mesmo depois que você for embora e não estiver mais nele.”
(Eduardo Tolentino, diretor do Grupo TAPA).
“Durante a ocupação do Teatro Arthur Azevedo pelo Tapa, foi possível observar que a proposta mais original de oficinas dentre as várias realizadas foi a Oficina de montagem de ”Rumo à Cardiff” de Eugene O’Neill. A mistura de iniciantes com atores profissionais fez este diferencial. O teatro é uma linguagem e como tal exige de seus oficiantes o domínio de sua sintaxe. E mesmo um amador pode fruir melhor com essa apropriação se devidamente capacitado e exigido. O trânsito entre amadores e profissionais abre uma discussão sobre regras básicas de disciplina, dedicação e envolvimento que vão para além do teatro. Rumo à Cardiff, integra o ciclo de peças curtas sobre o mar que já tiveram sua continuação em “Luar sobre o Caribe” , realizado no ano de 2005.
